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Moshe Feldenkrais disse que o “correto é incorreto”. Ele estava se referindo a esforços para corrigir os padrões de movimento de alguém. O que é uma coisa meio estranha de dizer de uma pessoa cujo método era amplamente relacionado a tornar o movimento das pessoas mais eficazes.

O que ele quis dizer e o que isso diz sobre esforços para corrigir o movimento?

Acho que sua mensagem é que é preferível mostrar aos clientes opções diferentes ou escolhas para como se moverem, do que dizer a eles que seus movimentos habituais estão errados e requerem correção.

Aqui temos uma breve discussão sobre três formas através das quais oferecer opções pode ser preferível do que prescrever correções:

1) O “Correto” para uma pessoa é “errado” para outra

O primeiro problema é que podemos estar errados sobre quais movimentos nós achamos que são corretos ou incorretos.

Quando olhamos para os padrões de movimento de alguém e vemos que eles parecem descoordenados ou desajeitados de alguma forma, continua sendo possível que estejamos na verdade observando a solução motora ideal para a estrutura específica daquela pessoa.

Lembro-me de ter visto um corredor recentemente que tinha as pernas extremamente arqueadas. Claro que ele tinha um andar incomum, mas havia algo sobre sua corrida que me fez pensar que ele estava se movendo tão suavemente quanto possível para um rapaz com sua estrutura. Então eu fiquei impressionado.

Mas e se ele tivesse alguns obstáculos para desenvolver uma forma de corrida mais tecnicamente correta que estavam invisíveis aos meus olhos? Como lesões ou degenerações nas articulações, nos músculos ou no sistema nervoso? Talvez então eu tivesse achado que ele realmente precisava trabalhar em sua coordenação. Mas isso teria sido um equívoco!

Eu definitivamente acredito que a maioria das pessoas tem uma capacidade significativa de melhorar seus movimentos. Eu não estaria escrevendo este blog se não acreditasse! Mas percebo que é difícil saber se um movimento específico é aperfeiçoável se não conhecermos todas as variáveis relevantes.

Por exemplo, alguns movimentos podem parecer restritos ou desajeitados, não por causa de habilidades ruins de movimentos, mas por causa de uma decisão inteligente por parte do sistema nervoso para proteger contra danos potenciais ao tecido. Barret Dorko criou uma ótima frase que ilustra o problema de rotular movimentos incomuns de patológicos – estamos percebendo “defesa ou defeito?” Pode ser difícil saber.

Devido a essas incertezas, acho que uma boa solução é ter uma abordagem que seja mais sobre oferecer opções e alternativas e testar como elas funcionam, do que recomendar correções e presumir que elas funcionarão. Se a nova opção de movimento for realmente um melhoramento em ralação a anterior, então o sistema nervoso do cliente mostrará algum sinal de que ele gosta disso, independente do que o terapeuta diga que está certo ou errado.

2) Identificar “disfunção” pode criar medo do movimento e efeitos nocebos.

Outra armadilha em identificar “disfunções” e prescrever correções é que isso pode contribuir para uma um medo irracional de outro tipo de padrão de movimento útil.

Cinesiofobia (medo do movimento) prevê resultados ruins em dores crônicas. É fácil perceber por que. A dor se resulta da percepção de ameaça, e um dos sinais que o cérebro considera para analisar a ameaça é cognitivo – pensamentos e crenças sobre se um movimento específico é seguro. Se um cliente recebe uma mensagem de um especialista de que um determinado movimento não é seguro, isso pode contribuir para o medo desse movimento, e poderia aumentar a probabilidade de que o movimento cause dor.

Tenha em mente que não é só a parte do cérebro inteligente, consciente, racional que decide do que ter medo. É também a parte estúpida, inconsciente e primitiva. Portanto, se você sugerir a um cliente que um movimento é patológico, lembre-se que essa parte estúpida do cérebro do cliente pode captar a ideia errada e levar isso ao extremo.

Eu confessarei que desenvolvi um medo moderado, mas pouco saudável, da flexão da lombar depois de ler livros de Stuart McGill. Conversei com pelo menos alguns outros terapeutas que relataram a mesma coisa. A questão não é que há um problema com os livros, que são excelentes, mas esse medo do movimento pode se desenvolver inesperadamente a partir do conselho bem intencionado que tem o propósito de oferecer proteção.

Eu acho que podemos evitar esse problema sendo muito cuidadosos antes de dizer a um cliente que um movimento específico é errado ou patológico. A ênfase pode, em vez disso, ser em sugerir opções e alternativas, e perceber se elas geram melhoras.

3) Inautenticidade

Outra armadilha em tentar corrigir movimento é que o padrão do movimento corrigido pode parecer forçado, não natural, e inautêntico. Por exemplo, um cliente pode tentar aplicar um conselho de um terapeuta para ajeitar sua postura de forma diferente, mas esse novo arranjo parece desconfortável e requer atenção consciente para mantê-lo. O problema é que o cérebro consciente do cliente está a bordo, mas a parte profundamente inconsciente que realmente controla o movimento não é negociável.

A maioria dos clientes simplesmente abandonará qualquer padrão de movimento recomendado se o mesmo não parecer natural, ou se não puder ser mantido sem atenção consciente. Mas algumas pessoas como uma tremenda força de vontade persistirão em adotar o padrão de movimento não natural por tempo suficiente para que se tornem um hábito patológico. Uma conexão com o movimento autêntico é perdida.

Em ambos os casos, a tentativa de correção falha se a parte profundamente inconsciente do sistema nervoso do cliente não estiver convencida de que o novo padrão de movimento é benéfico. Portanto, mais uma vez eu acho que isso conta a favor de uma abordagem que seja orientada para dar ao cliente recursos ou informações que ele possa usar para seu próprio benefício, o oposto da atitude de dizer a ele o que fazer.

Então está incorreto corrigir? Eu acho que é um ótimo feito ajudar seus clientes a se moverem melhor e é isso que eu tento fazer. Mas a forma de como isso é feito é importante. Gosto de pensar em termos de oferecer opções ao paciente/aluno, o oposto de ditar correções e demonizar os riscos dos padrões habituais.

 

Esse texto traduzido de Todd Hargrove. Você pode conferir o original aqui

 

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