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Um estudo publicado em outubro desse ano teve como objetivo descrever o curso natural da dor crônica em uma população em geral, identificando padrões subjacentes de dor em medidas repetidas ao longo de quatro anos.  Em um segundo momento, os autores se interessaram em determinar a relevância das trajetórias da dor, investigando várias características biopsicossociais medidas no baseline.

Uma amostra aleatória de 2196 indivíduos que participaram de um estudo anterior foi convidada a responder questionários sobre dor e suas características associadas, em intervalos trimestrais durante 12 meses (5 questionários). Nos 3 anos seguintes, os participantes  Todos os indivíduos relataram ter tido dor por pelo menos seis meses no início do estudo.

A principal descoberta é que a maioria dos indivíduos com dor crônica na população em geral tem trajetórias estáveis de dor por um longo período de tempo. Com os dados do estudo, foi possível identificar 5 trajetórias discretas do comportamento da dor, nas quais 3 representam trajetórias estáveis: 24% dos indivíduos foram classificados como “persistente leve” (dor), 22% como “persistente moderada”, e 13% como “persistente severa”. O quarto grupo: “flutuante” alternou principalmente entre os níveis de dor leve e moderada (31%), e o quinto e menor grupo apresentou uma melhora importante no quadro de dor (“melhora gradual”, 11%).

Uma informação importante é que no grupo “melhora gradual”, a melhoria mais substancial ocorreu nos primeiros três a seis meses.

O segundo objetivo foi investigar se as características biopsicossociais identificadas no início do estudo tiveram uma participação associada na trajetória da dor. Estudos anteriores já haviam demostrado trajetórias de dor associadas a fatores nos domínios biopsicossociais, como comorbidade, limitação funcional, participação no trabalho, sintomas de depressão e ansiedade, expectativas de recuperação e catastrofização. Os resultados desse estudo estão alinhados com a literatura, e ampliam esses achados a condições heterogêneas de dor na população em geral. É importante destacar que, os grupos “persistente moderada” e“ persistentes severa” foram associados a todos os fatores biopsicossociais no baseline, em comparação com os grupos “persistente leve” e “melhora gradual”. Em geral, o número e a força das associações com preditores biopsicossociais negativos tendeu a aumentar em função da gravidade longitudinal da dor. A identificação dos fatores associados às trajetórias da dor é importante, pois esses fatores podem ser modificáveis se direcionados ao tratamento.

As pessoas que procuram tratamento para a dor querem saber se a dor vai piorar ou se pode melhorar. Os autores sugerem que a palavra “crônica” é mal utilizada, pois fornece a impressão de que a dor é estática e não está sujeita a alterações. Embora esses dados mostrem que a dor tende a ser estável, não mostra que a dor possui uma característica estática. Uma grande proporção de indivíduos experimentaram flutuações em algum grau e, em todos os grupos, havia a possibilidade de sentir dor leve. Assim, esses resultados não implicam que se deva abster-se de dar esperança de que a dor melhore, mas eles podem orientar os profissionais de saúde e os pacientes a definir expectativas e objetivos.

Embora não tenha sido identificado uma trajetória de piora, o grupo “persistente moderada” apresentou uma tendência a uma maior probabilidade de dor intensa. Este é um grupo que, além do “persistente severa”, deveria receber uma maior atenção em relação às intervenções de tratamento.

Todos os questionários utilizados no estudo podem ser conferidos no artigo original.

Referência:

Glette, M., Stiles, T. C., Borchgrevink, P. C., & Landmark, T. (2019). The natural course of chronic pain in a general population: Stability and change in an eight-wave longitudinal study over four years (the HUNT pain study). The Journal of Pain. doi:10.1016/j.jpain.2019.10.008

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